Juíza que mandou prender policiais por extorsão a funkeiros disse ver provas robustas de corrupção

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Ao decretar a prisão preventiva de quatro policiais civis suspeitos de envolvimento com um esquema de extorsão a influenciadores, a juíza Maria Sílvia Gabrielloni Feichtenberger, da 1.ª Vara Criminal de Santo André, na Grande São Paulo, afirmou ver provas robustas de corrupção.

Foram presos Fábio Marcelo Fava, Adriano Fernandes Bezerra, Magally Ivone Rodrigues e Múcio de Assis Ladeira, todos do 6.º Distrito Policial de Santo André, descrito pelo Ministério Público como um “verdadeiro centro de arrecadação de propinas“.

A decisão também levou em consideração o acesso a sistemas e informações privilegiadas que os policiais poderiam ter em razão dos cargos que ocupam.

Para a juíza, se fossem mantidos em liberdade, os agentes poderiam “comprometer o resultado das investigações” e ocultar “bens pessoais adquiridos com proventos criminosos, comprometendo eventual ressarcimento ao erário e perda de proveitos do crime“.

Segundo o Ministério Público de São Paulo, os policiais abriam investigações preliminares sobre influenciadores que promoviam rifas ilegais nas redes apenas para cobrar propinas em troca do encerramento dessas apurações.

Também foram autorizadas buscas em seus endereços e na casa do policial Wilson Roberto Ribeiro, o único dos agentes que não foi preso. A juíza decretou ainda a quebra do sigilo fiscal e bancário dos policiais.

Material apreendido na fase anterior da Operação Latus Actio II, em dezembro — Foto: Divulgação/PF
Material apreendido na fase anterior da Operação Latus Actio II, em dezembro — Foto: Divulgação/PF

Os promotores do Gaeco, braço do Ministério Público paulista que combate crime organizado, suspeitam da participação dos advogados desses influenciadores, que segundo investigações preliminares teriam intermediado pagamentos aos policiais.

Três advogados foram identificados e são citados no inquérito. Neste momento, a juíza não autorizou buscas em seus endereços por considerar que as suspeitas “não atingem o grau de certeza necessário para a determinação de medida tão gravosa”.

A investigação é um desdobramento Operação Latus Actio, que revelou suspeitas sobre a ligação de produtoras de funk com o PCC.

COM A PALAVRA, AS DEFESAS

O Estadão busca contato com as defesas. O espaço está aberto para manifestação (fausto.macedo@estadao.com e rayssa.motta@estadao.com).

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